Câncer de próstata: o quarto mais diagnosticado no mundo
11.686 homens foram diagnosticados com esta patologia em 2020, e 3.964 faleceram. É o tumor mais frequente na população masculina argentina, mas pode ser tratado: se detectado de forma precoce, é uma patologia que pode ser tratada com sucesso. Todo 11 de junho é comemorado o Dia Mundial do Câncer de Próstata. A data se converte em um disparador que as associações profissionais e de pacientes utilizam para ajudar a conscientizar os homens adultos, e as suas famílias, sobre a importância que têm, na prevenção desta patologia, os controles urológicos periódicos. Além disso, serve para divulgar quais são os métodos de diagnóstico.
Em 2020 foi publicado o último informe científico Globocan, elaborado por profissionais da respeitada Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer. Segundo as estatísticas desse documento, naquele ano 1.414.259 homens em todo o mundo receberam um diagnóstico de câncer de próstata.
No mesmo período, na Argentina, 11.686 homens foram diagnosticados com esta patologia, e 3.964 faleceram por causa desta doença, sendo o tumor mais frequente na população masculina do nosso país. Comparado com todas as outras formas de câncer diagnosticadas na Argentina, tanto em homens quanto em mulheres, o de próstata ficou na quarta posição em número de casos (8,9%) e na quinta em mortalidade (5,7%).
Tanto a incidência quanto a prevalência desta afecção permanecem sem maiores variações nos últimos anos. E soma outro dado: 1 a cada 6 ou 8 homens, em algum momento da vida, sofrerá câncer de próstata. Mas é necessário entender algo-chave: os conhecimentos médicos neste tema avançaram tanto que hoje sabemos com certeza que não é necessário tratar todos os casos.
Em muitas ocasiões, este tumor se desenvolve de forma lenta e pouco agressiva, a ponto de não necessitar de tratamento, apenas de acompanhamento. Basta que a pessoa faça os controles indicados de forma periódica para poder descobrir qualquer mudança que de fato exija alguma intervenção ou tratamento específico para controlar a patologia.
Um estudo médico recente denominado Prostate Testing for Cancer and Treatment, publicado no fim de abril na prestigiada revista médica New England Journal of Medicine, mostrou que muitos pacientes desenvolvem tumores de próstata com “baixo potencial de malignidade”. Na maioria desses casos, a recomendação profissional atual é acompanhar a sua evolução, mas em muitos não parece ser necessário realizar alguma intervenção específica. A chave hoje é identificar quais são os tumores que de fato devem ser tratados.
Câncer de próstata: exames preventivos. Todo homem com mais de 50 anos deveria fazer uma consulta com um urologista.
É importante a conversa com um especialista para analisar os antecedentes médicos familiares e avaliar o risco pessoal de cada homem. Com base nisso há variações: por exemplo, se o paciente tem antecedentes de familiares diretos com casos de câncer de próstata ou, inclusive, de mama ou ovário, é possível que se indique começar a fazer controles periódicos específicos a partir dos 45 ou, em alguns casos, a partir dos 40 anos.
Para descobrir a presença de um possível tumor de próstata há dois tipos de exames que são complementares e que costumam ser indicados em conjunto.
PSA (Antígeno Prostático Específico), que é um biomarcador cujo valor é obtido a partir de um exame comum de sangue.
Toque retal, que pode servir para determinar a presença de um tumor de forma precoce.
O valor atual de PSA considerado “normal” é idealmente de menos de 3 nanogramas. Mas não basta esse exame, já que há um percentual significativo de casos em que o PSA pode dar “alto” por razões não oncológicas, enquanto a próstata está saudável. Ou, ao contrário, também há alguns tumores de próstata que podem se desenvolver sem gerar um valor de PSA que exceda os limites normais.
De acordo com os resultados, pode-se sugerir a sua repetição anual ou, no melhor dos casos, até a sua repetição a cada dois anos ou mais.
Se um câncer de próstata é diagnosticado a tempo e está circunscrito à glândula prostática, estamos diante de um cenário de possível “cura” desta patologia. Se, ao contrário, é diagnosticado tarde e as células tumorais já migraram desse tecido específico para outros órgãos, é possível considerar diversas intervenções terapêuticas para propor um cenário de cronificação desta doença.
Em outras palavras, para o paciente existem diferenças significativas entre alcançar um diagnóstico precoce, que se realiza quando o tumor está localizado, e um diagnóstico tardio, que ocorre quando a doença já avançou ou fez metástase. A taxa de sobrevida em cinco anos para a maioria dos pacientes com câncer de próstata localizado é de mais de 90%, enquanto, para os pacientes com câncer de próstata avançado, a taxa de sobrevida em cinco anos cai para 31%.
A probabilidade de ter câncer de próstata aumenta rapidamente depois dos 50 anos. Mais de 80% dos casos são diagnosticados em homens de 65 anos ou mais. E, embora seja pouco comum que afete os homens com menos de 40 anos, fatores hereditários e antecedentes familiares podem ter um papel determinante. Os homens com parentes de primeiro grau (pai, irmão, filho) têm de 2 a 3 vezes mais risco de desenvolver câncer de próstata do que o risco médio.
* Chefe da Seção de Uro-Oncologia no Serviço de Urologia do Hospital Alemán de Buenos Aires
Matéria feita para o jornal Perfil. Ver matéria aqui