Inovação em cirurgia robótica: navegação 3D touchless
Dr. Gonzalo Vitagliano, UMIBA & Hospital Alemán de Buenos Aires. Eng. Lucas Mey, Equipe de Tecnologia da MIRAI 3D.
Um robô cirúrgico é um sistema médico automatizado, projetado para ampliar o desempenho dos cirurgiões em procedimentos minimamente invasivos. Esses sistemas melhoram a eficiência e a precisão da cirurgia e, em geral, encurtam o tempo de recuperação do paciente.
Nefrectomia parcial robótica com reconstrução 3D.
Suas aplicações abrangem diversas áreas: cirurgia geral, cirurgia ginecológica, cirurgia urológica, cirurgia cardíaca e cirurgia torácica, entre outras.
Nos últimos anos, a implementação de novos robôs em centros médicos de todo o mundo cresceu exponencialmente, graças ao lançamento de plataformas cirúrgicas novas e inovadoras.
Uma corrida para se diferenciar e inovar
A competição para dominar tecnologicamente o mundo da cirurgia está no auge, e nela se destacam algumas propostas: o da Vinci, da Intuitive Surgical, o primeiro robô do mercado e único por quase duas décadas; o Hugo RAS, da Medtronic; o Versius, da CMR Surgical (Cambridge Medical Robotics); e o Hinotori, da empresa japonesa Medicaroid (divisão da Kawasaki, líder em robótica industrial).
Versatilidade
Os projetos do Hugo RAS e do Versius buscam oferecer maior flexibilidade ao distribuir a tradicional torre central em diferentes braços robóticos modulares. O Versius, em particular, se destaca por seus braços leves, fáceis de combinar e consideravelmente mais leves que a média do mercado.
Operabilidade
Com a chegada de novos modelos, a experiência de uso começa a passar por uma evolução significativa. Empresas como Medtronic e CMR Surgical apostam em sistemas de tela plana com visualização 3D e, no caso do Versius, em reproduzir ao máximo a cirurgia laparoscópica, substituindo os pedais por embreagens nos controles manuais. O Hinotori também se destaca nesse aspecto, com um console inteligente e ergonômico que se adapta às preferências do cirurgião para oferecer mais conforto.
Portal único
A Intuitive não podia ficar para trás diante do surgimento de vários concorrentes e redobrou a aposta na mínima invasão ao apresentar o modelo da Vinci SP. Esse projeto de portal único (single-port) promete simplificar abordagens até agora muito desafiadoras, como a nefrectomia parcial retroperitoneal.
Formação credenciada com simulação: a chave do sucesso?
Saber usar corretamente uma ferramenta é tão importante quanto, ou mais que, a própria ferramenta. O mesmo acontece com as novas plataformas robóticas.
Para incorporar um robô cirúrgico é preciso cumprir o processo de credenciamento, uma formação em várias etapas para que o profissional se familiarize com os movimentos e as funcionalidades do sistema e valide suas aptidões, garantindo a segurança do paciente.
Aos poucos, as empresas começam a entender que, para conquistar mercados e levar sua tecnologia a novas instituições, precisam investir em educação e formação, e não em marketing ou eventos.
A tendência é fortemente voltada à simulação, seja por meio de modelos hands-on de alta fidelidade (como o Urotrainer), seja com programas de treinamento virtual (especialmente para desenvolver habilidades básicas: movimentos, nós, suturas, etc.).
Ao mesmo tempo, os sistemas de dados que permitem monitorar o progresso das habilidades do cirurgião, analisar o desempenho de um histórico cirúrgico e detectar pontos de melhora na técnica estão se firmando como um novo padrão.
Nova tecnologia de navegação 3D
Manipulando a anatomia específica do paciente em tempo real
A simulação e o treinamento avançam de mãos dadas com tecnologias para auxiliar o cirurgião dentro da sala cirúrgica, como é o caso do planejamento 3D.
A equipe de engenheiros da MIRAI 3D desenvolveu uma nova interface que permite visualizar e navegar pelos biomodelos virtuais diretamente no console robótico.
A novidade desse sistema é poder manipular o modelo anatômico do paciente com a mão, sem nenhum tipo de contato.
Para isso, é incorporado um pequeno dispositivo que, junto com uma câmera infravermelha e algoritmos de detecção de mãos, torna possível que o cirurgião faça movimentos de rotação ou ampliação no ar, que a câmera detecta e traduz no modelo que o cirurgião está vendo no console do robô.
A nova tecnologia faz com que o cirurgião possa mover o modelo e posicioná-lo de modo a obter a visão ideal em cada momento da cirurgia. Basta mover a mão, sem precisar desviar o olhar do visor, para observar o biomodelo mantendo toda a atenção na cirurgia.
Em conclusão…
Os sistemas de cirurgia robótica podem apresentar várias vantagens em comparação com a cirurgia laparoscópica ou aberta: